terça-feira, 12 de agosto de 2008

VIVENCIANDO ARTES COM CRIANÇAS AUTISTAS


Atividade realizada por criança autista ( explorando a cor azul)


Sabemos que a partir da "Declaração de Salamanca de 1994", a inclusão escolar de crianças com necessidades especiais no ensino regular tomou conta dos debates sobre a política educacional, percebemos que é fácil chegarmos a conclusão que a implantação da educação inclusiva tem encontrado limites e dificuldades. Porém o difícil é afirmar um caminho que solucione algumas dificuldades, mas eles (os caminhos) existem.

Nesse contexto é que atualmente desenvolvo trabalho como arte-educadora, em uma rede de escola pública com crianças autistas, vivenciando Artes. Como? Para quê? Não se tem respostas exatas, mas provavelmente esse seja um desses caminhos... investigação e pesquisa...

Meu primeiro contato com uma dessas crianças na chamada "sala de recurso" traduziria em está REAPRENDENDO A "VER A VIDA COM OS OLHOS DE CRIANÇA".


VIVÊNCIA ...


Procurei introduzir a música ambiente para recebe-los sempre e me aproximar a partir do que pegava em sala : blocos lógicos, almofadas... na tentativa de um começo ...

Em uma desses encontros, introduzi a "bola de sopro na cor azul", brincando e para que ele visse, logo após liguei o dvd contendo imagens de crianças brincando e cantando com bolas de sopro, o que fez com que parasse e olhasse pelo espelho...depois comecei a levantar a bola e passar pra ele com as mãos...que reagiu de forma espontânea passando a bola e brincando comigo por algum tempo...deitamos nas almofadas interagindo com os pés...e mãos.

Seguindo os encontros...continuei com a cor azul, oferecendo giz de cera em bastão grosso, tinta guache, sentando-se ao meu lado em uma mesa , ficava falando a letra "x" e mostrando o azul quando perguntada em meio as outras cores de lápis. (FI. 1)

Em cada encontro procuro fazer o diário do aluno, contendo anotações sobre suas reações e o que fez.
Diria que está sendo desafiador participar de um universo ainda em descoberta, hoje estou investigando mais sobre o tema e encontrei esse estudo de caso que reportasse as "ARTES VISUAIS E O CONHECIMENTO SENSÍVEL DO AUTISTA" achei interessante partilhar com vocês. O material está em PDF!

Walquíria M. de Araújo


















ESCOLANOVISMO - Risolene Dantas Maia



A Escola Nova surgiu no final do séc. XIX, na Europa e E. Unidos como fruto da reformulação do liberalismo, bem como sob influência de outros movimentos, como o expressionismo, e o modelo do laissez-faire. Contrapondo-se a Esc.Tradicional, esta veio como um movimento renovador, resgatando os ideais românticos, defendidos por filósofos como Russeau "todo homem nascia bom, o ambiente é que o corrompia".
A Esc. Nova , na arte educação, fundamenta-se em três diretrizes: liberdade, individualidade e atividade. A liberdade de expressão, aqui, se confunde com a idéia de democracia. A individualidade se refere às diferenças, interesses e experiências de cada um. Para isso, era preciso trabalhar com grupos pequenos.Nas atividades, o centro do processo era a ação do aluno, servindo de ocasião para se expressar e aprender fazendo através da sua ação individual.
Ao contrário da Esc. Tradicional, na E. Nova, a ênfase é no processo em vez do produto, no espontaneismo criativo e expressivo no lugar da disciplina, o não diretivismo, a qualidade no lugar da quantidade, a pesquisa como obtenção desses conhecimentos pelo professor.
No início do séc. XX percebia-se mudança no modo de ver o desenho infantil influenciado por fatores como: o movimento expressionista que traz o valor expressivo dos elementos visuais próprios; abre a possibilidade de ultrapassar o tema; ênfase na expressão pessoal. Em contrapartida, a E. Nova trouxe problemas que causaram discursões entre os arte-educadores tais como o esvaziamento de conteúdos, o espontaneismo expressivo que defende a postura de que a criança para se expressar espontaneamente basta que ela fique livre, ou seja, sem a intervenção do proessor. A crítica também é com relação à individualidade, fomentando mais ainda as desigualdades sociais. Assim, uma criança de uma família de classe social alta, mais familiarizada com as artes, vai diferenciar de uma outra de classe social inferior.